
Jorge Jesus lembra conversa com Neymar no Al-Hilal: "Você acabou"
Jorge Jesus, recém-apresentado como técnico de Portugal, relembrou sua passagem pelo Al-Hilal e a decisão de dizer a Neymar que ele estava "terminado" devido a lesões. Ele também falou sobre Cristiano Ronaldo e a renovação da seleção portuguesa.
Apresentado como novo técnico de Portugal nesta sexta-feira, Jorge Jesus disse que chegou um momento durante o trabalho com Neymar no Al-Hilal em que teve de dizer ao brasileiro que não havia mais condições de continuar utilizando-o.
- Não tinha certeza se colocaria Cristiano para jogar sempre. Já treinei dois dos três melhores jogadores do mundo, falta-me o terceiro, que é o Messi. Treinei o Ronaldo. Ao Neymar um dia eu disse assim: "Tu Finish" (Você terminou). O que eu achar melhor para a equipe e para a seleção, assim que será feito.
Jorge Jesus evitou dar por encerrado o ciclo de Cristiano Ronaldo com a camisa da seleção, apesar de o jogador ter dito após a eliminação portuguesa na Copa do Mundo que esta foi a sua última participação no torneio.
- Ainda não falei com o Cris. Nunca vai ser um problema para a Seleção nem para mim. Cada um pensa como quiser. Quando tiver de tomar alguma decisão, vou falar com ele. Mas não só com ele, vou falar com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris. Ele é um símbolo do futebol português, da seleção, de Portugal. Isso vai ficar sempre na história e tive um grande prazer de trabalhar com ele este ano.
- É facílimo trabalhar com ele. Desde que eu entenda até onde ele pode chegar e até onde posso chegar. É a relação treinador e jogador. A partir daí, as conversas serão fáceis. Será sempre ele a decidir o que quer fazer na carreira. Se estiver jogando e tiver condições para jogar, se for selecionável, vou convocá-lo, dentro do limite e das condições que achar melhores para a seleção.
Mais sobre Cristiano Ronaldo
- No ano passado, o Al-Nassr fez 50 jogos, e ele disputou 31. No campeonato, o substituí 16 vezes. Nunca confundimos o que é ele, o jogador, e o que sou eu, o treinador, e as decisões que tenho de tomar.
Ao falar da possibilidade de usar jovens, como Rodrigo Mora e Geovany Quenda, Jesus cita CR7 novamente.
- São dois jovens, como há mais. Portugal tem uma formação de qualidade, a nível de clubes. Portugal é o Brasil da Europa. No Brasil, você dá um chute numa pedra, e sai um jogador. Portugal tem isso. Faltam quatro anos para o Mundial e são os jogadores que vão ditar quem vai. A idade não é problema. O que importa é o valor. Se for um jovem preparado, será integrado. Dos 12 que trabalharam comigo, quatro ou cinco fui eu que os lancei: Rafael Leão, Gonçalo Guedes, João Cancelo e Bernardo Silva.
- Não olho para o jogador pela idade, é o mesmo com o Cristiano. Trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia 8km por jogo, com velocidade acima dos 25km/h. Quando achava que tinha de jogar, jogava. Não tinha a certeza se metia o Cristiano a jogar sempre.
Portugal vai jogar o dobro com você no comando?
- Tem que jogar o dobro, senão fica tudo igual. A qualidade está aqui. Acredito no nosso trabalho e nos jogadores. A outra parte da estrutura também é importante. A seleção é mais do que um clube, mas as ideias do que é uma seleção e do é um clube não são diferentes, porque se não houver ideias partilhadas, não há hipóteses. Se acharem que vir à seleção é ver os amigos e a família, não é. Quero que todos os jogadores entendam que se querem ganhar têm de pagar o preço. Vamos criar uma identidade. A minha ideia do jogo não tem nada que ver com o que era a ideia da seleção. Zero. Isso faz com que eu acredite que viemos para vencer.











