Espanha revê Bélgica e "Maldição das Quartas" para exorcizar fantasmas de Copas passadas

Espanha revê Bélgica e "Maldição das Quartas" para exorcizar fantasmas de Copas passadas

A Espanha enfrenta a Bélgica e a "Maldição das Quartas" em um jogo que remete a eliminações passadas, buscando superar fantasmas para avançar no torneio.

A Espanha reencontra dois fantasmas que já exorcizou nesta sexta-feira, às 16h (de Brasília). Estão de volta a Bélgica e a "Maldição das Quartas". E quando belgas e quartas de final se juntam, os espanhóis não têm boas lembranças.

Favorita, com bom desempenho na Copa e vinda de uma grande vitória, a Espanha já parou na Bélgica há exatos 40 anos. Na Copa do México, em 1986, Espanha e Bélgica empataram por 1 a 1 (gols do belga Jan Ceulemans e do espanhol Juan Señor) no tempo normal. A partida foi para os pênaltis, e a Bélgica levou a melhor (5 a 4), eliminando a seleção espanhola e avançando para a primeira semifinal da história belga.

Assim como a Espanha de 2026 passou as oitavas com uma vitória sobre a forte equipe de Portugal, aquela seleção espanhola eliminou a elogiadíssima Dinamarca por 5 a 1. Nas quartas, quem parou a Espanha foi o goleiro belga Jean-Marie Pfaff, eleito o melhor do mundo em 1987. Hoje o camisa 1 da Bélgica é Thibaut Courtois, eleito duas vezes o melhor goleiro do mundo e grande pegador de pênaltis.

– Aquele pênalti foi o pior trago da minha carreira – disse Eloy Olaya, atacante de 21 anos que perdeu o pênalti decisivo contra a Bélgica.
Lamine Yamal consola Cristiano Ronaldo após Espanha x Portugal — Foto: AFP
Lamine Yamal consola Cristiano Ronaldo após Espanha x Portugal — Foto: AFP

O resultado na Copa de 86 reforçava um estigma de os espanhóis não saberem como passar pelos mata-matas em Mundiais. A imprensa criava então a "Maldição das Quartas", referência as importantes eliminações exatamente nessa fase das Copas.

Somente em 2010, ano do primeiro título mundial, a Espanha venceu um jogo de quartas de final. Até hoje, aquela vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, na África do Sul, é a única da Espanha nessa fase de mata-mata da história das Copas do Mundo.

Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid, no empate da Bélgica com o Egito na Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid, no empate da Bélgica com o Egito na Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

Excluindo a campanha de 1950 (onde o formato não tinha mata-mata tradicional e a Espanha chegou ao quarto lugar jogando um quadrangular final por pontos contra Brasil, Uruguai e Suécia), a seleção espanhola disputou as quartas de final em cinco edições antes deste Mundial de 2026.

Em 1934, eliminada pela Itália em um jogo desempate; em 1986, eliminada pela Bélgica nos pênaltis; em 1994, foi 2 a 1 para a Itália em jogo no qual Luis Enrique teve o nariz quebrado na área e o juiz não deu pênalti para os espanhóis; e em 2002, com dois gols anulados contra a Coreia do Sul veio a eliminação nos pênaltis novamente.

David Villa comemora com Fabregas Copa da África do Sul 2010 Paraguai x Espanha — Foto: Lars Baron/Getty Images
David Villa comemora com Fabregas Copa da África do Sul 2010 Paraguai x Espanha — Foto: Lars Baron/Getty Images

A Bélgica não vence a Espanha em qualquer tipo de partida desde o século passado. O jejum belga no confronto direto já dura mais de 40 anos em partidas oficiais (desde a Euro 1980). Na história, a Espanha tem ampla vantagem: 12 vitórias, seis empates e cinco derrotas para os belgas.

O segundo jogo das seleções em Copas já teve a revanche da Espanha. Ou quase. Quatro anos depois da eliminação traumática nos pênaltis, no Mundial de 1990, a Espanha venceu os belgas, mas foi na fase de grupos: 2 x 1.

Portanto, vencer a Bélgica e passar pelas quartas de final, mais do que exorcizar de vez dois fantasmas, pode ser um sinal de que o segundo título mundial está mais perto.