
Entenda por que a Suíça, rival da Argentina, é sede da Fifa e de várias organizações esportivas
A Suíça abriga a sede da FIFA há mais de 80 anos, atraindo organizações esportivas internacionais devido a fatores geográficos, econômicos, como paraísos fiscais com isenções e sigilo bancário, além de neutralidade e baixa regulação governamental.
Análise pré-jogo | Argentina X Suíça | Rodrigo Coutinho
Próximo adversário a desafiar o bicampeonato inédito da Argentina no próximo sábado, às 22h, pelas quartas de final da Copa, a Suíça é sede da Fifa há mais de 80 anos. Se a seleção alcança feito que não se repetia desde 1954, quando sediou a Copa do Mundo, o país é o queridinho das organizações internacionais esportivas.
A Fifa se estabeleceu na Suíça, em Zurique, em 1932, depois de ser fundada em Paris, em 1904. O francês e então presidente da Fifa Jules Rimet foi quem decidiu pela mudança de sede, da França pela Suíça. E as explicações são diversas. Desde as razões geográficas – ponto central na Europa – até as econômicas.
A Suíça é um dos paraísos fiscais mais famosos do mundo – não à toa é sede também do Comitê Olímpico Internacional e outras 50 federações mundiais de esporte e tribunais desportivos. É dos anos 1920 a “lei dos bancos” suíça, que permite sigilo sobre movimentações financeiras. O governo suíço também oferece diversas isenções fiscais e taxas reduzidas que atraem associações sem fins lucrativos.
O que faz não só associações esportivas buscarem a Fifa para sediar seus escritórios – a Organização das Nações Unidas (ONU) também fica na Suíça.
O governo do país também adota neutralidade e pouca regulação nas empresas sediadas. Em outras palavras, baixa interferência em negócios. Até porque há benefícios diretos e indiretos.
Um relatório de 2021 da Academia Internacional de Ciência e Tecnologia do Esporte (AISTS) revelou retornos econômicos que vão desde os impostos recolhidos até turismo e visita a museus do esporte da ordem de 10 bilhões de francos suíços entre 2014 e 2019 – algo em torno de R$ 60 bilhões.
O escândalo do Figagate em 2015 trouxe também o epicentro da corrupção no esporte para a imagem suíça. Em maio daquele ano, Zurique foi palco de ação de agentes do FBI (dos EUA) e oficiais da polícia suíça num hotel de luxo da cidade. Na missão, a prisão de sete dirigentes da Fifa.










