Colecionador de relógios e sócio de empresa de colchões: quem é o técnico que desafia a Argentina

Colecionador de relógios e sócio de empresa de colchões: quem é o técnico que desafia a Argentina

Murat Yakin, técnico da Suíça, é um ex-zagueiro com passagens pelo Basel e pela seleção suíça, e agora lidera a equipe em busca de sua melhor campanha em Copas, enquanto fora de campo coleciona relógios de luxo, pratica golfe e é sócio de uma empresa de colchões.

Por trás da Suíça que faz história ao voltar às quartas de final da Copa do Mundo depois de 72 anos está um técnico que começou a construir um caminho de sucesso antes do último Mundial. Murat Yakin assumiu a seleção suíça em agosto de 2021 e conduziu a equipe em momentos marcantes.

Na última Copa, o treinador desbancou a Itália nas eliminatórias europeias e se classificou depois de duas vitórias e uma derrota (para o Brasil) na fase de grupos. A Suíça foi eliminada por Portugal após ser goleada por 6 a 1 nas oitavas de final.

Um detalhe interessante da classificação para a Copa de 2022 foi o presente que Yakin enviou à Irlanda do Norte, que empatou por 0 a 0 com a Itália nas eliminatórias e garantiu a vaga da Suíça. O técnico enviou 9,3 quilos de chocolate suíço à federação norte-irlandesa, acompanhados de um bilhete com a mensagem: "Um agradecimento doce, Murat". A quantidade foi uma referência aos 93 minutos sem sofrer gols da seleção italiana.

Sob seu comando, a seleção chegou à fase mata-mata de outro grande torneio internacional, sendo eliminada nas quartas de final da Eurocopa de 2024 pela Inglaterra, nos pênaltis — nas oitavas, tinha passado pela então atual campeã Itália. Agora, Yakin terá a chance de levar à Suíça à sua melhor campanha na história das Copas, caso derrote a Argentina no sábado, às 22h (de Brasília), em Kansas, nos Estados Unidos.

— A Argentina não é invencível... Ficou evidente que a Argentina está vulnerável com base em suas duas últimas partidas — declarou o técnico antes da partida.

O encontro de Murat Yakin com a Argentina começou bem antes do confronto das quartas de final da Copa de 2026. Em fevereiro do ano passado, o técnico viajou ao país sul-americano para se encontrar com Lucas Blondel, lateral-direito suíço que na ocasião defendia o Boca Juniors. O treinador visitou o centro de treinamentos do Boca e também foi ao CT da seleção, tirou fotos no vestiário argentino e viu o quarto onde Lionel Messi se hospeda durante as concentrações.

Técnico da Suíça, Murat Yakin visitou a Argentina em 2025 e assistiu a um jogo do Boca Juniors na Bombonera — Foto: Reprodução/Instagram
Técnico da Suíça, Murat Yakin visitou a Argentina em 2025 e assistiu a um jogo do Boca Juniors na Bombonera — Foto: Reprodução/Instagram
Murat Yakin visitou a Argentina em 2025 — Foto: Reprodução/Instagram
Murat Yakin visitou a Argentina em 2025 — Foto: Reprodução/Instagram

Nascido na Suíça, mas também com nacionalidade turca, Murat Yakin foi um zagueiro de carreira construída essencialmente em seu país de origem. Foram duas experiências fora da Suíça, em passagens por Alemanha e Turquia, sem grande sucesso.

Atuando em solo suíço, o zagueiro defendeu o Basel, principal time do país, e foi campeão nacional cinco vezes, sendo um importante jogador no futebol local. Teve 49 jogos, incluindo uma Eurocopa, disputados pela seleção, entre 1996 e 2002, justamente no intervalo de ausência da Suíça em Copas, em 1998 e 2002.

Yakin está na lista de jogadores que marcaram o gol que Pelé não fez. Foi em um jogo pelo Superliga Suíça, em 2005. Antes da linha do círculo central, o então meia do Basel encobriu o goleiro do Xamax.

Murat Yakin jogou pela seleção suíça, mas não disputou Copa do Mundo — Foto: Reprodução/X
Murat Yakin jogou pela seleção suíça, mas não disputou Copa do Mundo — Foto: Reprodução/X

A carreira de Yakin como treinador teve início em 2006, quando deixou o cargo de auxiliar técnico no Concórdia para assumir o modesto Frauenfeld, que atualmente disputa a quinta divisão da Suíça. Após passagens por Grasshoppers, FC Thun e Luzern, Yakin assumiu o comando do Basel. A partir daí, foram dois títulos nacionais, a classificação para a Liga dos Campeões e o reconhecimento do exterior: o convite para comandar o Spartak Moscou, da Rússia.

Sem sucesso em solo russo, voltou à Suíça para comandar o Schaffhausen antes de ser escolhido para assumir a seleção da Suíça no lugar de Vladimir Petkovic, que ficou sete anos no cargo e eliminou a França nas oitavas de final da Eurocopa de 2020.

A trajetória de Yakin fora de campo é marcada por empreendimentos inusitados e paixões de elite. Uma delas é o golfe, esporte que o técnico pratica há mais de 30 anos e tem marcas que o classificam como amador de alto nível.

Murat Yakin, técnico da Suíça, pratica golfe — Foto: Golf.ch
Murat Yakin, técnico da Suíça, pratica golfe — Foto: Golf.ch

Outra paixão do treinador suíço são os relógios de luxo, situação que o levou aos tribunais em 2024. No final de 2020, Yakin entregou seis relógios caros de sua coleção pessoal para revenda, mas foi vítima de um golpe. Os itens foram entregues a um ex-membro da gangue de motociclistas "Hells Angels", acusado de fraude e lavagem de dinheiro. Murat Yakin nunca recuperou nem os relógios exclusivos nem o dinheiro.

O técnico suíço é ainda sócio de uma empresa turca que fabrica colchões. A ligação de Yakin com o empreendimento começou durante uma viagem de férias em família na Turquia. Ele encomendou vários colchões da empresa e disse que ele e sua família dormiram melhor do que em muito tempo. Segundo o próprio técnico, a experiência pessoal é o seu melhor argumento de venda.

Murat Yakin dita tendências com os óculos de grife que usa nos jogos — Foto: Getty Images
Murat Yakin dita tendências com os óculos de grife que usa nos jogos — Foto: Getty Images

Murat Yakin também dita tendências com os óculos de grife que usa nos jogos. Um detalhe curioso é que ele os utiliza apenas durante os 90 minutos da partida, guardando-os na gola da camisa assim que soa o apito final. No sábado, Yakin espera não precisar retirar os óculos e tentará surpreender a Argentina nos 90 minutos para levar à Suíça a um lugar jamais pisado pela seleção europeia em uma Copa do Mundo.